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ALUNOS DA GRADUAÇÃO E DO MESTRADO DO CAMPUS DE BREVES REALIZAM A EXPEDIÇÃO CIENTÍFICA “SABERES DA SOCIOBIODIVERSIDADE E EDUCAÇÃO NA AMAZÔNIA” NA VILA LAWTON

  • Publicado: Quinta, 11 de Junho de 2026, 10h00
  • Última atualização em Quinta, 11 de Junho de 2026, 11h18

ALUNOS DA GRADUAÇÃO E DO MESTRADO DO CAMPUS DE BREVES

REALIZAM A EXPEDIÇÃO CIENTÍFICA “SABERES DA SOCIOBIODIVERSIDADE E EDUCAÇÃO NA AMAZÔNIA” NA VILA

LAWTON

Por: Eliane Costa e Eunápio do Carmo

                                       Fonte: Escola Lawton – Rio Jaburu.

Dentre os vários territórios de saberes que conformam o rio Jaburu, a Vila Lawton, sem dúvidas, é um dos mais expressivos. Entrecortada por rios, florestas, memórias e resistência, esse território tem um espaço de aprendizado inspirador e acolhedor: a Escola Lawton. A vila e a escola como espaços formativos constitutivos de outras epistemologias e cosmologias, configuram-se territórios imprescindíveis para estudantes e professores universitários conhecerem, pesquisarem e dialogarem.

Imbuídos dessa percepção, no dia 13 de maio, um grupo de 51 pessoas do Campus Marajó-Breves, formada por alunos da graduação de Pedagogia, mestrandos do Programa de Sociobiodiversidade e Educação, agentes da pessoa idosa do Programa Envelhecer nos Territórios e professores/as-pesquisadores/as, realizaram a expedição científica “Saberes da Sociobiodiversidade e Educação na Amazônia” com objetivo de identificar a integração entre saberes científicos e tradicionais como importante estratégia para pensar a viabilidade de políticas públicas intersetorializadas como solução viável e sustentável nas realidades locais. Para atendimento desse objetivo, o grupo contou com o apoio decisivo da Secretaria Municipal de Educação, quem forneceu o transporte para a equipe acessar a escola; apoio da comunidade escolar que nos receberam de forma acolhedora e atenciosa. Uma demonstração desse espírito cooperativo foi a chegada da comitiva à escola onde direção, coordenação pedagógica e professores estavam no hall de entrada da escola aguardando os participantes da expedição para dar boas-vindas e promover o momento inicial de apresentação e conversa. Seguramente, foi um dos momentos mais marcantes da atividade que revela a cultura de interação, fundamental para o ambiente escolar.

Fonte: Equipe da escola Lawton com docentes do CUMB, integrantes da Expedição Científica

Divididos em seis equipes, mesclando alunos da graduação e mestrado, as atividades focaram no mapeamento da comunidade (aspecto ambiental, econômico, cultural), escola (“que escola é essa?” – estrutura física, pedagógica) e famílias (origem, formação e trabalho). O território foi analisado na perspectiva etnográfica enquanto campo múltiplo de conhecimento e de políticas públicas, atenta à perspectiva interdisciplinar (envolve diversos campos de conhecimento), intersetorial (interação com outras áreas de atuação) e transescalar (alinhamento das escalas municipal, estadual e federal). Tal opção teórico-metodológica atravessa as linhas de atuação do Campus Marajó-Breves em seus projetos de ensino, pesquisa e extensão, com a perspectiva de contribuir com a transformação social como razão de existência.

Diante desse mosaico de possibilidades, vivenciado no território educativo, que a expedição científica ancorou suas investigações e análises dos alunos/as e professores/as, situando a Vila Lawton como resultante do cenário histórico e estrutural de desigualdades sociais e racismo ambiental. Com a expansão do capitalismo global, o território amazônico foi considerado como ativo econômico para dominar, expandir, extrair os bens naturais, modificando a relação com a natureza traduzida em grande carga de riscos, danos e afetações dos impactos socioambientais que recaem nos grupos étnicos socialmente diferenciado, provocando precarização social e violações das condições de vida que afetam diretamente as populações locais.

As observações da expedição científica perceberam sensivelmente que apesar das contradições apontadas, a Vila Lawton não resume aos problemas apresentados, muito pelo contrário. O mosaico de águas e floresta resiste coletivamente e a escola Lawton tem um papel inspirador nesse processo por liderar e mobilizar direitos socioterritoriais para afirmação da cidadania que vai da desconstrução do imaginário colonizador, imposto ao novo processo de reconhecimento de futuros possíveis nas águas e florestas baseados na emancipação social que precisa ser materializada em ações e lutas. A escola e também a comunidade, seus professores/as, alunos/as e técnicos/as têm uma relação orgânica com os modos de vida e implicações que perpassam leitura de mundo e vias de transformá-lo.

Esse reposicionamento das lutas contra a escassez de direitos e políticas públicas é cotidiana na Vila Lawton e, historicamente, protagonizada pelos moradores, agricultores, pescadores, tiradores de açaí, benzedeiras, cuidadoras, barqueiros, professores, professoras, merendeiras da comunidade. Uma comunidade que recebeu com atenção os integrantes da expedição e permitiu conversas sobre sua realidade e sentimento de pertencimento à vida ribeirinha. Revelou-se, portanto, um protagonismo comunitário também epistêmico que resiste contra os saques da apropriação dos conhecimentos ancestrais desses povos que se organizam por mais dignidade, não somente para obter seus direitos e emancipação social, mas por reconhecimento de uma identidade tão subalternizada e silenciada na atualidade, a qual precisa ser visualizada e, principalmente, afirmada em outras sociabilidades. Lição maior de toda expedição!

Fonte: Participantes da Expedição Científica na Vila Lawton (Foto no Terminal Hidroviário/Breves)

Fonte: Participantes da Expedição Científica na Vila Lawton (Foto no trapiche da escola Lawton)

Quando o navio retornava para o meio urbano, com a noite já caindo, os participantes da expedição tinham a nítida sensação do quanto foram contemplados com um dia de muita ciência, sabedoria e esperança ainda que vivamos numa sociedade aprisionada em múltiplas crises. Afinal, os territórios amazônicos tem muito o que ensinar para o mundo se quisermos continuar existindo enquanto humanidade, imaginando outras representações sociais onde vários mundos sejam possíveis.

Fonte: Alunos/as e docentes do Mestrado PPGSE na Expedição Científica na Vila Lawton (foto no trapiche da escola)

Fonte: Alunos/as da graduação e docente da FACED na Expedição Científica na Vila Lawton (foto no trapiche da escola)

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